Se o que me consome fosse apenas saudades, gritaria seu nome como quem tange a espada, no fio cego da ausência que queima feito carvão, nas palavras de corte e de pão de quem tem fome. Se o que me consome fosse apenas fome, te inventaria a canção de quem come, na beleza posta da nossa cama, minha amada. no chão do nosso quarto, roupas na sala. Se o que me consome fosse apenas desejo, te daria gestos jogados na mesa posta, como quem cala na cama de quem ama, e nas palavras inventadas no seu ouvido, apenas pra ti, amada....
Não era noite em nem era dia ainda lá pelos lados da serra.. O que se via ao longe, ali..quase no se perder de vistas, era um fiozinho tênue de azul, um azul manchadinho de amarelo avermelhado...que descia lá do alto da serra escarpada. O dia se anunciava quente. –Esse fiozinho de luz e cor, dizia Seu Estevão, é sinal de dia de sol..é sinal de dia que queima nossa moleira assoberbada de calor...! As avezinhas voavam baixo como que procurando a sombra das moitas rasteiras. Fora elas, nenhum bicho e nem ser vivente algum...apenas o calor prenunciado pelo azulzinho rasgado de amarelovermelho...um azul delicado, enfeite de Nossa Senhora no céu! Uma cor rasgada...cor de calor e sol forte... Nenhum ser vivente, nada, nem um calanguinho...nada..ninguém. Apenas minha saudade e eu.... Apenas minha saudade e você na cabeça! Rasgando a madrugada antes de o dia chegar....